Porque é impossível dar nota a um whisky

E porque é importante continuarmos dando notas mesmo assim!

Uma das melhores maneiras de descrever a vida é existir quase uma infinidade de whiskies para beber mas termos uma conta bancária finita. E lá está você na frente de várias garrafas e PUF! PUF! aparecem nos seus ombros um diabinho e um anjinho. “Quem tem limites é município!” o primeiro diz. “Ele tá te zoando”, emenda o segundo, “tudo tem limites, menos a zoeira!”.

– E então amigo, o que vai levar? – pergunta o atendente do outro lado do balcão.

– Todas.

– Vai ser no crédito ou no débito?

– Passa na zoeira, a zoeira não tem limites!

E assim você volta pra casa sem nenhuma garrafa e com alguns dentes a menos.

Como escolher então uma ou três de tantas garrafas? Corre para a internet ou saca uma Whisky Bible do bolso e vai ver qual daqueles whiskies tem a melhor nota. Se vamos investir que seja no campeão. E ai você entra em um novo universo de problemas.

3 dos whiskies que você quer foram avaliados com notas 87, 92, 92,5. Ok! São notas boas! Mas qual a diferença real entre um 92 e um que tem 92,5? E ai surge a curiosidade mórbida, por que não existem whiskies avaliados em 15 pontos? Ou 2? Não existem whiskies ruins? Ou pior! Se todos tem entre 70 e 98 pontos, um whisky 87 é ruim e um 92 é mediano?

Se esqueça dos pontos, vamos então procurar avaliações por custo benefício. Bem melhor, mas também bem pior. Um whisky ok bem barato é pior que um bom whisky caro?

Isso sem falar que em 3 sites ou guias diferentes o mesmo whisky tem 3 notas diferentes. Por que é tão difícil dar nota a um whisky?

A Matemática explica e a resposta dela é: não é difícil. É impossível!

Prepare-se para uma viagem estranha e mágica sobre incapacidade humana de dizer se um whisky é bom ou ruim e, mais assustador ainda, de dizer o quanto um whisky é melhor que outro. Esta viagem será fascinante, assombrosa e reveladora. Espero que você não caia no sono no meio dela!

1- O cérebro humano: credo que delícia!

Antes de sequer começar a estudar uma métrica que possa dar valor a um bom gole de whisky, precisamos entender como o cérebro humano funciona.

Muito tempo atrás descemos das árvores e fomos morar em cavernas, o mundo era grande e assustador e por isso nossa massa cinzenta aprendeu a trabalhar “percebendo” padrões. Percebendo na verdade é uma palavra educada, nosso cérebro adora inventar padrões. Bichinhos em nuvens, Jesus em torradas queimadas, ritmo em funk. Essas coisas não estão lá mas nossos cérebros nos fazem enxergá-las assim mesmo. Supostamente essa capacidade surgiu para evitar que fôssemos devorados por tigres, picados por cobras ou atacados por enxames de vespas assassinas. É melhor reconhecer um pseudo-perigo e fugir dele do que ter que se aproximar mais para saber se aquilo no chão é uma cobra ou um pedaço de cipó. E assim chegamos nos dias de hoje.

Essa tendência acaba tornando o cérebro um terreno fértil para vieses, faça uma pesquisa pela internet e você sai com uma lista de mais de 170 deles. Mas não se preocupe, não vamos perder tempo com listas ou descrições elaboradas recheadas de bom humor tão natural quanto aquelas fatias de “cheddar” quadradinhas que vendem no supermercado. Ao invés disso vamos ver esses vieses em ação.

Parece que é só um matemático ou psicólogo ou economista resolver lançar um livro e lá vem um capítulo sobre bebidas, vamos aos meus 3 favoritos.

Aceita uma taça de vinho?

Em 2017 a INSEAD – Business School and the University of Bonn – fez um experimento interessante para tentar estudar um fenômeno curioso. Eles conseguiram 30 voluntários, 15 homens e 15 mulheres, com média de 30 anos de idade e os colocaram em um scanner de ressonância magnética para ver seus cérebros. O experimento era simples: os cientistas lhes mostravam o preço que determinado vinho havia custado e então eles recebiam via um tubo o tal vinho e o avaliavam utilizando uma escala de 9 pontos, suas bocas eram lavadas via tubo também – para que o sabor de um vinho não influenciasse no outro – e então recebiam nova descrição de valor e uma nova dose.

Os vinhos com valor mais alto se saíram melhor nas avaliações – o que era esperado – mas havia uma pegadinha, eles bebiam exatamente o mesmo vinho todas as vezes – o que não era esperado. Assim o exato mesmo vinho era julgado melhor ou pior de acordo com o preço – que é esperado.

O interessante do experimento é que o que foi descoberto é que essa associação entre valor e qualidade não é apenas um preconceito que temo, o que acontece é que nosso cérebro nos engana. Quando diziam para as cobaias que os preços eram mais altos, o córtex pré-frontal medial e o estriado ventral – áreas do cérebro associadas à recompensa e motivação – foram ativados. Então para as cobaias o vinho de fato tinha um gosto melhor.

E mais: antes de começar o experimento elas receberam um crédito de dinheiro do qual algumas das degustações eram debitadas, ou seja, vinho mais caro é mais gostoso não importa se você está ganhando de presente ou pagando por ele.

Vai uma dose de vodka?

Em Janeiro de 2005 o New York Times publicou um artigo interessante envolvendo vodka. Vodka é uma bebida neutra destilada, de acordo com a legislação americana, “de modo a não apresentar características, aroma, sabor, ou cor distintivos”. Se você for produzir vodka nos Estados Unidos o seu trabalho vai ser o exato oposto de um master Distiller de whiskey, você vai pegar um destilado com 95% de álcool, vai acrescentar água e então retirar o máximo possível de sabor.

O New York Times então convocou uma série de conhecedores – hoje o nome da moda é someliers – da bebida e fez um teste às cegas. Encheram os copos com o líquido transparente e pediram para julgarem o melhor. Ketel One, Grey Goose e outros nomes famosos do mercado se perderam entre as marcas mais populares e baratas. Quem se saiu melhor? Acredite ou não foi a Smirnoff. Pense nisso a próxima vez que resolver investir mais de R$200 reais em uma garrafa de Vodka.

Aceita mais uma taça de vinho?

No site Freaknomics, Steven Levitt e Stephen Dubner falam do estudo feito por Robert Hodgson onde foram apresentados a cada painel de quatro jurados de vinhos seu “flight” usual de amostras para serem provadas e degustadas. A pegadinha do experimento foi que alguns vinhos foram apresentados aos juízes três vezes, e o vinho foi servido da mesma garrafa cada vez que foi apresentado aos juízes.

Diferente da INSEAD onde as pessoas recebiam dicas falsas para ver se isso afetava a percepção que tinham, os juízes não receberam nenhuma informação, apenas copos cheios para avaliarem.

Hodgson descobriu que os juízes de vinho eram inconsistentes ao pontuar o mesmo vinho. Conforme relatado pelo The Guardian, o mesmo juiz classificou o mesmo vinho de forma diferente em degustações às cegas, mesmo quando o vinho foi degustado com apenas alguns minutos de intervalo. A pesquisa de Hodgson reconfirmou não uma, mas duas vezes, que é provável que ‘paladares profissionais sejam péssimos para julgar vinhos’. Seu estudo descobriu, em particular, que apenas cerca de 10% dos juízes de vinho eram consistentes.

E essas respostas são comuns o suficiente para se enquadrarem como padrão entre “provadores” profissionais, alguém que foi treinado para reconhecer as qualidades e defeitos de uma bebida.

Já ouvi histórias sobre o mesmo whiskey sendo enviado três vezes com nomes diferentes para uma mesma competição e recebendo 3 notas diferentes. Isso não apenas sugere que as notas que dão para bebidas não são consistentes mas que elas praticamente são aleatórias. E estamos falando de painéis de juizes e experts, imagine o que acontece quando as notas são dadas por entusiastas amadores como nós.

Assim, antes de mergulharmos em qualquer tentativa de objetividade de avaliação de bebidas, temos que ter em mente que nosso equipamento sensorial apresenta algumas falhas assustadoras. Pdomeos cofanir em um cebérbo que ahca que etsa fsare faz setidno?

2- Uma régua sem começo nem fim

Imagine que eu vá sair de onde estou e me dirija a algum lugar, quantos quilómetros vou percorrer?

Essa pergunta pode parecer absurda, mas vamos aplicá-la ao mundo do whisky: se eu não sei qual o pior whisky e qual o melhor, como eu crio uma graduação entre eles para posicionar todos os outros? Vamos perguntar a Euclides como ele responderia a esta questão.

Como na época de Euclides não havia whisky ainda vamos adaptar a pergunta, ao invés de perguntar como saber qual o melhor whisky do mundo vamos perguntar: qual o número primo mais alto?

Um número primo tem como característica poder ser dividido apenas por si mesmo e por 1. 2, 3, 17, 23, 28549, 104711 são todos primos, 28549 só pode ser dividido por 1 e por 28549 e deixar resto 0. Pensando em qual seria o n´¨mero prime mais alto Euclides teve um momento genial. Imagine que existe um primo mais alto, vamos chamá-lo de Pn (seja lá qual for este número). A lista de números primos então seria P1 (o primeiro primo, no caso 2), P2 (o segundo primo, no caso 3) e seguiria P3, P4, P5 … até chegar a Pn.

Agora o que acontece se você multiplica 2 números primos e adiciona 1 ao resultado, tipo P1xP2+1? você termina com um número que não pode ser dividido nem por P1 nem por P2, então ele é um primo maior do que esses 2 multiplicados. E se multiplicarmos todos os primos da lista: P1xP2xP3xP4x…xPn e adicionarmos 1? Vamos ter um número que não pode ser dividido por nenhum primo anterior sem deixar resto, logo descobrimos um primo mais alto que não estava na lista. Logo não existe um primo mais alto, eles são infinitos.

E o que isso tem a ver com whisky? Você tem lá o seu sistema de notas para whisky, o melhor de todos ganha um 10, ou um 100. Suponha que você descubra o melhor Whisky do mundo, aquele que vai fazer seu cabelo cair e crescer de novo, que vai fazer você ficar musculoso e atravessar paredes. Ele é o limite máximo da sua lista, você pontua todos os whiskies se baseando em quão perto eles chegam dessa perfeição líquida. Se o universo não se implodir assim que você terminar de beber qual a chance de em alguns anos alguém lançar um whisky melhor? O seu número 100 vira o número 97. E todos os outros na lista, como ficam? Todas as suas notas caem. Tudo o que você bebeu até hoje vai ficar um pouco pior em relação ao novo whisky perfeito.

A opção então é começar pelo pior e as notas mostram o quanto os whiskies que você prova se afastam desta abominação engarrafada. Uma das poucas certezas que tenho na vida (além da morte e dos impostos) é que nada é tão ruim que não possa piorar. Logo terminaremos com o mesmo problema – a vantagem desta vez é que sempre que descobrir um pior whisky todos os outros que bebeu vão melhorar um pouco, as notas deles vão subir.

Assim não existe uma maneira de se criar uma escala para posicionar as bebidas que seu gosto subjetivo experimentar. Mas não se desespere, as coisas não terminam por ai.

3- Preenchendo as lacunas

Vamos supor que sabendo que não existe o melhor e o pior whisky você tente criar um sistema de notas que leve isso em conta.

Em 1989 foi lançado o livro “Malt Whisky Companion” de Michael Jackson. Ele conseguiu criar algo novo, além de sua abordagem literária que levava os whiskies para outro nível ele foi o primeiro a começar a dar notas para a bebida. Cada garrafa recebia uma pontuação entre 0 e 100 e, de repente, todo entusiasta tinha um guia de referências e um sistema métrico para sua jornada no whiskyverso.

Mas como funcionava o sistema de Jackson? Ele dizia que cada whisky começava já com um score de 50 pontos só por existir, ele então adicionava pontos de acordo com a qualidade da bebida e explicava como você poderia interpretar cada pontuação. Sensacional, mas assustador. Se um whisky recebesse 80 pontos em seu sistema, mas o mesmo sistema já dá 50 pontos de lambuja, a bebida recebeu 80 pontos de 100 ou 30 de 50?

No primeiro caso em uma realidade em que um whisky pode atingir 100% de fodidês a bebida chegou a 80% desse potencial. No segundo caso chegou a 60%. 20% de diferença!

14 anos depois surge Jim Murray com sua Bíblia do Whisky e um sistema um pouco diferente. Ele definia as qualidades do whisky se baseando em Aroma, Sabor, Finalização e Balanço, cada uma sendo avaliada em uma escala de 0 a 25, somando-se todas chegamos a 100. Mas diferente de Jackson – que adiciona pontos – ele os subtrai. Toda bebida começa com 100 pontos potenciais e vai perdendo pontos quando não atinge a perfeição em alguma de suas características.

Jackson dava nota como se as qualidades da bebida a levassem à perfeição. Não há um pior whisky e todos tem a chance de ser o melhor.

Murray já faz o oposto, a perfeição do whisky existe, mas todos tem o potencial de se afastar dela, todos tem a oportunidade de ser o pior.

Agora supondo que Jackson e Murray tenham a mesma capacidade de perceber e experienciar o whisky, as mesmas papilas gustativas, os mesmos gostos, etc… será que um whisky que ganha 30 pontos em uma escala é tão bom quanto um que perde 20 pontos na outra? Ambos vão marcar 80 pontos de 100. Isso, claro, não quer dizer que o sistema de um ou outro seja furado, apenas que cada sistema tem uma nota própria que pode não conversar muito bem com outras notas equivalentes de outros sistemas.

E isso porque ambos são p̶i̶n̶g̶u̶ç̶o̶s̶ críticos com bagagem. Imagine que notas alguém que acabou de conhecer o Macallan daria para as garrafas que está descobrindo e compare com as de alguém que bebe Macallam há uns 23 anos, quando o Gran Reserva estava circulando por ai?

Sem falar de um blogue onde todos os whiskies estavam avaliados entre 85 e 92 pontos de 100 possíveis. Será que o melhor e o pior whisky que aquela pessoa bebeu estavam separados por meros 7 pontos?

4- Preferências circulares

Mas e se ao invés de notas só quisermos analisar 3 whiskies, os classificando do melhor para o pior, ou vice versa?

Chamamos 3 amigos e colocamos 3 garrafas na mesa: um Glen (G), um Mac (M) e um Single (S).

Os três amigos provam e anotam em um papel para suas escolhas, dispondo os participantes por ordem de preferência. Muito bem. Ao final, descobrem que têm um grande problema. Os votos são:

Amigo 1: G > M > S
Amigo 2: M > S > G
Amigo 3: S > G > M

Nenhuma das bebidas conseguiu ser a preferida de dois amigos. Pior: se você analisar o quanto cada whisky é preferido em relação a outro, descobrirá que todos permanecem empatados. A situação de cada uma das três garrafas é exatamente a mesma, e este paradoxo inconveniente para sistemas de votação foi notado inicialmente pelo Marquês de Condorcet, ainda no século 18.

Pode parecer improvável que essa simetria exata de preferências ocorra mas vale notar algo curioso aqui.

Caso uma das garrafas seja posta de lado, ocorre algo inusitado. Ao invés de os dois whiskies restantes continuarem empatados, como presumiríamos a princípio, como pareceria “justo”, o que ocorre é que um deles passará a ser o ganhador!

Veja o que ocorre se Mac abandonar a disputa. Com as preferências dos três amigos inalteradas, teremos agora:

Amigo 1: G > M > S = G > S
Amigo 2: M > S > G = S > G
Amigo 3: S > G > M = S > G

Epa! Singe é claramente o favorito, com dois votos. Por outro lado, se a garrafa de Glen sair da mesa, quem será a ganhadora?

Amigo 1: G > M > S = M > S
Amigo 2: M > S > G = M > S
Amigo 3: S > G > M = S > M

Mac, e não Single, vence mais uma noite de provas! Em nossa situação, puramente hipotética é preciso repetir, Glen não precisou fazer nada para ganhar. E, o mais importante, a ordem de preferência dos amigos também não mudou. A simetria dos votos foi quebrada, não por um dos whiskies conquistar uma maior simpatia, e sim pela mera saída de um concorrente na votação. Como na Corrida Maluca, às vezes a forma mais fácil de ganhar pode ser eliminar o concorrente certo. A menos, claro, que você seja o Dick Vigarista.

5- O perdedor leva tudo

Mas vamos além disso, vamos provar de verdade o whisky e eleger o melhor com base em aroma complexo (A) ou sabor complexo (S) e além disso se eles tem abv alto (1) ou foram diluídos (2).

Um whisky com um aroma mais complexo do que o sabor e com um abv mais alto é marcado A1 e assim por diante. Nesta nota prova temos 4 combinações possíveis nessas duas questões (aroma vs sabor e abv alto vs diluído): A1, A2, S1, S2.

E vamos chamar de volta seus três amigos que tem as seguintes ordens de preferência:

Amigo1: A1 > A2 > S1 > S2
Amigo2: A2 > S2 > A1 > S1
Amigo3: S1 > S2 > A1 > A2

Quem seria o whisky escolhido? Está claro que cada um dos três amigos tem uma primeira preferência diferente. Mas olhando para a segunda preferência, um whisky com sabor complexo e álcool mais brando – S2 – parece promissor. No entanto, para dois amigos (1 e 2), A2 parece melhor que S2 – para amigo1 A2 está em segundo lugar e para amigo2 A2 está em primeiro, e bastaria defender essas qualidades para ganharem do amigo que prefira S2. Ao mesmo tempo, para dois amigos, um whisky A1 é melhor que a A2. E assim por diante.

Há, como vimos na primeira prova, uma simetria, e nenhuma posição ganha de todas as outras por maioria. Além desse “empate técnico”, contudo, algo mais sinistro acontece aqui.

Para dois amigos (1 e 2) o aroma complexo é preferível ao sabor, sendo parte da primeira escolha. E também para a maioria dos amigos (1 e 3), o abv mais alto é mais apropriado que o diluído. Se houvesse votos separados em cada uma dessas questões, Aroma e abv alto seriam as escolhas vencedoras, claramente. Seria assim natural esperar que o whisky com essas qualidades A e 1 deva vencer, certo?

Errado. Podemos ver que a posição A1 combinada perde para a posição S2 para dois dos eleitores (2 e 3). De fato, se houvesse apenas dois candidatos, um comas qualidades preferidas, isoladamente, pela maioria – A1 – e outro aquelas da minoria, S2, ganharia o whisky preferido da minoria. Com voto majoritário. Mais um adorável paradoxo etílico.

6- A tartaruga mais rápida do mundo

Zenão viveu no século V a.C.. Ele foi filósofo, foi barbudo, foi grego. Tinha tudo para criar ideias bizarras que ficariam famosas milênios depois que ele morresse. Uma dessas ideias foi o paradoxo de Zenão.

Ele colocou Aquiles – o do calcanhar bugado – e uma tartaruga para apostarem corrida. Aquiles, num ímpeto de generosidade, resolveu dar à tartaruga uma pequena vantagem, deixando que o bicho partisse alguns centímetros à sua frente.

Ai entra em cena Zenão: por mais rápido que Aquiles se movesse, ele jamais conseguiria ultrapassar a tartaruga! Como? Simples: cada vez que Aquiles percorre determinada distância num espaço de tempo, a tartaruga já percorreu uma outra distância. Se Aquiles correr para chegar à metade da distância que o separa da tartaruga, terá que se defrontar com o fato de que a tartaruga já terá percorrido mais um tanto, por menor seja, e terá novamente uma nova metade da distância levemente maior para percorrer. Esse fato se repetirá indefinidamente. Por mais que Aquiles corra, sempre haverá um espaço a separá-lo da tartaruga.

Claro que no mundo real ele alcançaria a tartaruga. Mas e se ele estivesse correndo atrás de um whisky?

Eu tive o privilégio de conseguir uma garrafa de Black & White lacrada dos anos 1970 e a bebi junto com uma garrafa comprada em 2019. Resultado final: 2019 era saborosa como um ovo frito, a de 1970 era como um x-bacon – não em termos de gosto, claro, mas intensidade do sabor e aroma.

O famoso Ralfy fez um review de um Johnnie Walker Red da década de 1960, veredito: podia ser confundido com um single malte.

Mas não precisamos ir tão longe, existem pessoas que dizem notar a diferença – geralmente desfavorável para o mais novo – entre mesmos rótulos de whisky engarrafados com 5 anos de intervalo. Parece que a indústria etílica está vivendo um declínio de qualidade em seus produtos. Independente da causa disso fica uma outra questão: será que a nota que dei ao Cutty Sark sete anos atrás representa o Cutty Sark de hoje? A resposta de muitos será “não!” e, se a resposta estiver correta, como comparar o mesmo whisky em termos de nota com versões de si mesmo? Um copo de White Horse hoje, ou Glenfiddich, serve de base para outro White Horse, ou Glenfiddich, ano que vem? Se não serve Heráclito deve estar sorrindo em algum lugar.

“Ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontra as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou. Assim, tudo é regido pela dialética, a tensão e o revezamento dos opostos. Portanto, o real é sempre fruto da mudança, ou seja, do combate entre os contrários.”

Tentar dar uma nota a um whisky é tão alucinante quanto Aquiles tentar pegar a tartaruga de Zenão. A cada ano, a cada batch, o whisky se afasta da nota que recebeu, vem nova nota e ai ela se afasta novamente. Se este ano eu dou nota 92 para um Glens Sotia e 90 para um Singleton de Glen Ord e fou rever as notas em 3 anos, o Glen Scotia pode levar um 90 e se sobrepor ao Glen Ord do passado. O Scotia acaba ocupado o lugar do Ord em linhas temporais diferentes. O correto seria que a cada mudança de produto, a cada lançamento você começasse a criar uma nova avaliação e terminaria como Georg Cantor, com infinitos diferentes de diferentes tamanhos. Vale apontar que Cantor terminou a vida louco, pobre e internado num hospital psiquiátrico.

5- Let’s Get Retarded

Vamos parar com sistemas complexos de notas então e partir para whisky ruim, bom e excepcional, vamos parar de convidar amigos para ajudar a decidir também, nós deveríamos ser capazes de fazer isso sozinhos. Essa ideia é tão simples e boa e maravilhosa que você resolver comemorar fazendo o seu famoso Rustic Manhattan e convida a galera para vir beber.

  • 60 ml de whiskey de maçã
  • 30 ml de vermute de framboesa
  • 2 doses de bitter
  • Enfeite: cereja maraschino e fatias de maçã.

Você corre para a quitanda para comprar umas maçãs bonitas para enfeitar os copos e as mesas e, depois de pensar, resolve levar as grandes e mais bonitas. Tarefa fácil, você precisa só de umas 10, então começa a separar as grandes de um lado e as pequenas de outro.

Só que ai surge esta nova maçã. Você a coloca no grupo das grandes ou no das pequenas?

Agora vamos traduzir a pergunta para o nosso mundo. Você tem 3 single maltes na sua frente um é bom, o outro é excelente. O terceiro é melhor que o primeiro, mas não é tão bom quanto o terceiro. Em que grupo você coloca ele, no bom ou no excelente?

Claro que podemos trapacear e aumentar um pouco o nosso score para whisky ruim, bom, muito bom e excepcional. Mas no próximo flight você prova um whisky bom, um muito bom e outro que é melhor que o primeiro mas não chega a ser o terceiro. Você pode trapacear o quanto quiser, se existirem 1.000.000 de garrafas diferentes de whisky no mundo, você pode fazer 1.000.000 de classificações e atribuir cada uma a uma das garrafas. Este Glenfarclas tem nota 785.346, um pouco melhor que este Glenmoray que atingiu apenas 785.340.

Este exercício seria tão divertido quanto criar um dicionário em um mundo em que não existe a ordem alfabética. Você olha todas as palavras, se for sortudo o suficiente, e vai organizando de acordo com algum padrão aleatório de acordo com as notas individuais, o que não é novidade para a sociedade humano: a Bíblia é organizada em ordem cronológica de seus textos, o Alcorão por ordem de tamanho das Suras. Ambos os livros funcionam. No caso do whisky poderíamos organizar todas as garrafas em uma fila indiana e dizer: eis ai os whiskies, não do pior para o melhor, mas da esquerda para a direita.

De fato encarar cada garrafa como única e simplesmente a colocar em uma ordem parece mais simples do que dar notas a uma tendo como referência outra.

Poderíamos apelar para um sistema baseado em lógica difusa e ele seria fácil e prático. A lógica difusa é utilizada para tratar de assuntos assombrosos e enlouquecedores como o das maçãs e, de maneira bem resumida, funciona assim: você criar alguns parâmetros, algumas regras que até o freio ABS do seu carro consegue entender e as joga no seu bar.

Enquanto a lógica clássica trabalha apenas com valores extremos de falso ou verdadeiro, por exemplo 2+2=4, a lógica difusa é usada quando uma pergunta pode ter respostas variáveis, como pedir a várias pessoas que identifiquem uma cor, um aroma ou um sabor. Isso não é deixar a noção de falso e verdadeiro (bom ou ruim) de lado, mas uma forma de representar e raciocinar sobre um conhecimento parcial através da agregação de todos os resultados possíveis em um espectro dimensional. Bizarro? Vamos voltar ao freio do seu carro.

Freios ABS são os chamados “freios inteligentes” – pois é, vivemos em um mundo onde loucos dão inteligência a freios, o que virá a seguir? Para sua inteligência funcionar eles tem que levar em conta muitas variáveis que não podem ser reduzidas simplesmente a falso e verdadeiro, breque ou não breque, eles precisam tomar decisões mais sutis.

Então os cientistas que dão inteligência a objetos inanimados pegam uma variável contínua, como uma medição de temperatura, e a dividem em vários subcontradomínios – calma, seu freio entende isso e você também vai – são criadas várias funções de filiação separadas definindo alcances de temperatura particulares necessários para controlar os freios corretamente. Cada função mapeia o mesmo valor temperatura para um valor verdade entre 0 e 1 (falso e verdadeiro). Esses valores reais podem então ser usados para determinar como os freios devem ser controlados. Difícil ainda? Vamos desenhar.

Nessa imagem, os significados das expressões frio, morno e quente são representados por funções que mapeiam a escala de temperatura. A temperatura aumenta da esquerda para a direita. Um ponto nessa escala tem três “valores-verdade” — um para cada uma das funções. A linha vertical na imagem representa uma temperatura particular que três setas (valores-verdade) medem em dado momento. Como a seta vermelha (da função quente) aponta para zero, essa temperatura pode ser interpretada como “não quente”. A seta laranja (apontando para 0,2) pode ser descrita como “levemente morno” e a seta azul (apontando para 0,8) “relativamente frio”.

Deixe essa ideia passear pela mente um pouco. Você consegue enxergar? Imagine um sistema onde cada qualidade do whisky pode ser analisada desta forma. Não apenas se é bom, mas também o quão longe de ruim ele se encontra.

Sua dose é “não ruim”, “levemente excepcional” e “muito boa”. Não apenas o sabor é bom ou ruim, mas esse whisky em toda sua glória é bom ou uma porcaria.

Esta opção sempre me pareceu a mais interessante. Ao invés de separar sabor, aroma, finalização, cor, etc… poderíamos criar uma equação que começa com o: a cara dele é boa, se a mordida dói no bolso, é bom e cheiroso e ainda inclui se dá ressaca ou faz seu xixi cheirar estranho e computa uma nota final = sabor excelente, cor levemente artificial, finalização longa, não compromete a faculdade das crianças, xixi dentro da normalidade, ressaca suportável ou “Levando tudo em conta esse 15 anos é melhor do que aquele 21!”

Ainda teríamos que ter uma experiência mínima e uma máxima para nossa régua de 1 e 0 – verdade e mentira, “porcaria” e “bênção dos deuses”. Mas ela pode ser imaginada, por exemplo qual sua pior ressaca comparada com aquilo que você quer que o melhor whisky te faça sentir? Você cria essas extremidades.

O problema, é claro que existe um ou vários, é que você teria que estabelecer alguns conjuntos para criar seus parâmetros. Você pode usar lógica difusa para se comparar objetos numa escala subjetiva, mas eles tem que conversar entre si – você consegue comparar bananas com bananas, mas não bananas com maçãs, mesmo as duas sendo frutas.

Você teria que levar em conta algumas características como receita – apenas malte ou milho, malte, cevada, centeio e trigo? – forma de destilação – pot still ou alambique de coluna? – tratamento da matéria prima – defumado, turfado, “normal”? – tipo de barril, tipo de água, de fermento, single malte ou blended? No final você poderia comparar muito bem um Glenlivet com outro Glenlivet, mas seria quase, se não de fato, impossível comparar um Macallan com um Teachers, não por um ser um sinlge malte de luxo e o outro um blend popular, mas por se tornarem virtualmente duas bebidas completamente diferentes que apenas compartilham o mesmo nome comercial “scotch whisky”.

Assim saber se um whiskey americano é melhor do que um whiskey irlandês não vai rolar. Saber se um sinlge grain japonês tem nota maior ou menor que um single grain escocês não vai rolar. Saber se um blended canadense é inferior a um nacional, não vai rolar.

6- Let’s Get Naked

A única maneira de fazer isso seria quebrar o whisky a suas moléculas básicas. Se criar uma receita de um “whisky base” e sair comparando. Pegue um whisky excelente, coloque-o sob o microscópio e veja o que o compõe e em que proporção e BINGO! Você tem finalmente uma base real, objetiva e quantitativa do que compõe a excelência do whisky para poder comparar com outros.

Desculpe… mais 0.7% de damascenonas e 1.2% a menos de hexanais e seu whisky poderia ser considerado bom!

Na verdade, o microscópio ficou no passado! Hoje você pode passar seu whisky por um processo de cromatografia gasosa, para analisar a composição de moléculas voláteis, cromatografia líquida, para as não voláteis e até por cromatografia gasosa-olfatometria para chegar nos componentes do cheiro dele. O resultado seria literalmente pegar sua garrafa de Dalwhinnie 15 anos e a deixar totalmente pelada, você veria o que torna o Dalwhinnie 15 um… bem, um Dalwhinnie 15!

Isso não poderia simplesmente ajudar a criar um sistema de graduação universal como também poderia dar origem a um novo mercado! Misture seu próprio Highland Park 30 anos em casa, em 20 minutos. Como um kit de laboratório infantil. Mas claro que todas essas tecnologias, que já estão sendo usadas para fazer com destilados o que já fizeram com o genoma humano, esbarram em dois problemas.

O primeiro problema é humano. Se 20 pessoas seguirem uma receita passo a passo com ingredientes vindos do mesmo lugar, uma torta de peras por exemplo, as 20 tortas terminarão com sabores levemente diferentes. É ai que entra a magia que ocorre nas destilarias e barris. Saber qual o DNA do Schwarzenegger ainda não fez Hollywood começar a clonar Arnolds para que a franquia do Terminator dure para sempre – ainda precisam de simulações digitais. Além disso, quem define que os aromas que a máquina está captando são de maçã é uma pessoa e a sua maçã não necessariamente cheira como a minha maçã. Quem define que excesso de enxofre é bom ou ruim é outra pessoa. Quem calibra as máquinas para captarem “qualidades” ou “erros” são pessoas.

O segundo problema é o cérebro humano. A maneira com que você percebe a qualidade intrínseca de algo depende muito do que você está experienciando com este algo. Aquela dose que você tomou na sua primeira viagem à sua destilaria favorita, depois de 20 minutos de chuva na estrada para chegar lá, vai ter um gosto diferente se você a tomar assistindo reprises de Cobra Kai, sozinho, em casa. Máquinas, tão pouco, sabem o que é um aroma nem um sabor, elas estão analisando substâncias e cuspindo porcentagens e ligações em uma tela. No fim você vai terminar com uma torta de pera industrializada na mão para compará-la à torta de pera que sua avó poderia fazer.

Uma máquina, neste aspecto, pode ser usada para controlar processos de qualidade, mas nunca para dizer qual o grau de qualidade da bebida. Essa batata quente volta para nossas mãos.

7- Danem-se suas notas, danem-se suas guerras, dane-se seu presidente!

Quando pensamos em dar notas ou avaliar um whisky levamos muitas coisas em conta.

Algumas dessas coisas vem da garrafa. O álcool destilado tem qualidade, os barris tiveram uma influência positiva no sabor? A fermentação foi bem feita? A matéria prima tinha qualidade? A separação do espírito tem equilíbrio? A mágica dos fabricantes é boa?

Outras vem de nós. Qual a nossa capacidade sensorial de avaliar o que estamos provando e qual nossa capacidade mental de processar o que avaliamos – Será que perceber gosto de terra é bom ou ruim, já que eu não comeria um prato de terra nem se me pagassem? Eu odeio turfa mas sei reconhecer o quanto um Ardberg é bom?

Então tentamos combinar isso com uma imparcialidade que raramente temos.

Eu, por exemplo, quando bebo um Jura percebo que ele foi bem feito, que é uma bebida de qualidade, lá está o aroma e o sabor de um bom single malte e depois de computar tudo isso não consigo ver graça nele. Não acho ele ruim, veja bem, se estiver em algum lugar e tiver apenas Jura para beber com certeza beberei, se terminar meus dias em uma ilha deserta e descobrir um baú enterrado cheio de Jura com certeza vou pensar “uau… podia ser bem pior!”. Mas muito provavelmente não vou comprar mais uma garrafa deles. Ao mesmo tempo tem pessoas que adoram a bebida, elas com certeza enxergam algo que para mim simplesmente não está lá ou pior, algo que eu não consigo enxergar. Serei eu um daltônico para o Jura?

Na minha tabela de RUIM – OK – BOM – MUITO BOM o Jura entra entra no OK com pitadas de SEM GRAÇA o que o faz escorregar uns degraus rumo ao RUIM. Mas já vi ele entrando em tabelas no lugar do BOM dando pulos rumo ao MUITO BOM.

“Então a solução é deletar nossas planilhas de excell, desisntalar os apps de avaliação, queimar os cadernos de notas e mandar tudo para inferno enquanto entornamos todas as garrafas em um barril e bebemos essa lavagem etílica sem sentido?”

Não, caro leitor, longe disso! O que estou dizendo é justamente o contrário.

Quando tentamos realizar o impossível, quando tentamos dar nota a um whisky, percebemos o que ele realmente é: não uma garrafa de água temperada e bronzeada artificialmente, mas algo vivo.

Não vivo como uma planta que nasce, se multiplica e morre, mas vivo como uma força da natureza. Uma tempestade ou um nascer do sol, que apesar de todas as equipes comerciais e times de marketing e das metas empresariais a serem batidas, está pouco se lixando para quem o bebe. E é ai que a magia começa a acontecer.

Quando paramos para olhar o que tem no copo e tentamos começar a compreender o que está ali – ao invés de afogar em coca-cola para beber a maior quantidade possível no menor tempo possível – começamos a mudar.

Você começa a pensar “como esse whisky se relaciona a todos os whiskies que já bebi e, mais interessante, a todos os que eu ainda não bebi” e, tal qual Adão e Eva no Jardim, você dá aquela primeira mordida na maçã e começa a se despedir da sua inocência, cada nova dose se torna um desafio – não mais aquela bebida só pra relaxar ou ficar louco.

Surgem protocolos, mudança de consciência, rituais e até filosofia. Cada gole é uma experiência quase espiritual onde você entra, nem que seja por instantes, em um universo de luz do sol líquida para ver o que consegue trazer de volta. E quando chega neste ponto, quando percebe que seu destino é se tornar um Whiskynauta, cada tentativa de avaliação ajuda a despertar um sentido que você não sabia que possuía, evoluindo seu senso crítico, sua sensibilidade – e de quebra você entra em uma jornada mística onde vai beber whisky pra caralho.

Cada vez que tenta decifrar um whisky para avaliar cada uma de suas qualidades vai aprender a ler aquele whisky. Cada garrafa se torna um livro aberto na sua frente, um livro que você pode ler e reler, e a cada passagem aprender algo novo e evoluir como leitor.

Quem diria… você finalmente vai poder dizer que está bebendo whisky para se tornar uma pessoa melhor.

2 pensamentos

  1. Olá meu amigo.
    Passando para dizer q adorei o texto! Além disso quero colocar 1 opinião pessoal, gosto de avaliar whisky (nos raros momentos q dou nota aos mesmos) usando uma tabela em que existe um valor para cada etapa da avaliação em si. Essa tabela não da gtandes espaços para preferências pessoais pois ela pontua a etapa de acordo com a ausência de defeitos, ou riqueza.
    Exemplo:
    Olfato.
    Quantas nuances são perceptíveis?
    Agora para o número de nuances tem uma nota.
    Possui defeitos?
    Agora o número de defeitos temos uma nota.
    Perceba que não falamos de gosto pessoal no número de nuances, perceba que tecnicamente não podemos levar o gosto pessoal para os defeitos visto q a tabela de defeitos é fechada e vc percebe ou não os mesmos.
    Tem mais variáveis para olfato e então ele ganha uma nota de acordo com a posição de cada faze. Depois vamos para paladar, e aí por diante.
    É uma forma mais justa e técnica q encontrei em algumas avaliações internacionais.
    Porém usando dessa métrica também aprendi algo, um whisky tecnicamente bom não necessariamente agradará meu paladar, e agora usando de seu texto falo, como o indicarei no canal que tenho no YouTube?
    Um grandioso abraço!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Salve Tierri,

      Que bom que gostou do texto!

      É por isso que gosto de avaliar os whiskies, mesmo tropeçando e todas as dificuldades, a gente vai evoluindo com cada prova. Se percebemos 3 nuances no olfato, como fazemos para chegar a mais da próxima vez? E tentqbdo responder essa pergunta vemos o Whisky mudar – junto com a gente!

      Se quiser falar do texto, sinta-se à vontade, pode usar o endereço do blog, postar link direto, o que achar mais prático!

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